quinta-feira, 2 de março de 2017

HÁ 60 ANOS NASCIA, COM O CENTRO DE CINE-CLUBE DO ESTADO DE SÃO PAULO, O MOVIMENTO CINECLUBISTA BRASILEIRO!




Centro de Cine - Clubes do Estado de São Paulo
Com ele nascia há 60 anos, o Movimento Cineclubista Brasileiro.


“Cineclubismo é antes de tudo movimento, movimento de gente, de ideias, de imagens e sonhos em favor da atividade cinematográfica[1]”.


A memória historiográfica do Movimento Cineclubista Brasileiro, carece de melhor organização e sistematização. Não é exagero dizer que a predominância de sua história, ainda é oral. Dispersa, podemos relacionar três ou quatro livros e mais recentemente alguns “Trabalho de Conclusão de Curso” ou uma e outra “Tese”, que abordam diretamente esta atividade e sua forma de organização, reflexão e difusão da cultura cinematográfica e do audiovisual brasileira. Ao completar seu sexagésimo aniversário, cuja referência remonta a 29 de outubro de 1956, data de fundação do Centro de Cine-Clubes do Estado de São Paulo.

Falando genericamente, vive na “Memória do Cinema Brasileiro”, por meio de seus protagonistas – principalmente daqueles remanescentes da sua militância cineclubista[2] -, uma história repleta de substantivos e adjetivos, que qualificam o cineclubismo como uma das mais importantes atividades da cultura cinematográfica brasileira, também do ponto de sua contribuição às sua formação profissional.

Segundo Paulo César Saraceni, o Cinema Novo nasceu nos cineclubes, dentro do cineclube da FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro). Da turma que ele frequentava saíram grandes diretores: “O Saulo Pereira de Melo, que era o presidente do cineclube, Miguel Borges, Marcos Faria. O Marcos Faria  trabalhava com os ferroviários da Central do Brasil, lá ele tinha o cineclube. O cineclube sempre fez parte do Movimento do Cinema Novo e foi dele que saiu primeira turma do Cinema Novo”[3].  Maurice Capovilla arremata “nossa formação foi basicamente de cineclubista[4]”.

 Registra-se no Brasil a presença dos cineclubes em suas primeiras atividades como forma de organização, difusão e reflexão da cultura cinematográfica, já na primeira década do século XX, 1917, Cineclube Paredão[5], na cidade do Rio de Janeiro, cujo modelo seguia o dos “Clubes de Cinema franceses”.

Os cineclubes surgiram na França, por inspiração do cineasta Louis Delluc e do crítico de arte, Ricciotto Canuto, italiano radicado na França. Em 1913 acontece a primeira sessão acompanhada de debate após a exibição de um filme, “A Comuna de Paris”, realizado pelo do grupo do Cineclube do Povo, atesta Felipe Macedo[6].


No Brasil aquele modelo solidificou e permaneceu influente até meados da década de 50. Os cineclubes e/ou Clubes de Cinema, que eram criados, vias de regra, nas universidades de ciências humanas, tinham à frente, intelectuais, escritores, críticos de cinema, jornalistas, professoras, que contribuíram decisivamente para a consolidação dos pilares do cinema, cuja principal característica, foi à reflexão crítica da obra cinematográfica; a formação de profissionais da área, além da criação de instituições como as Cinematecas; Festivais e entidades da classe cinematográfica.

Daquele modelo de “Clubes de Cinema”, ainda existe sobrevivente nos dias atuais, com umas duas ou três representações, em atividades ininterruptas (Clube de Cinema de Porto Alegre, Marília, Lins, Lorena, Santos). A imensa maioria desses clubes, a partir dos anos 50 foi incorporando nova nomenclatura (Cineclube), nova forma de organização, atuação e representação, prestando relevantes serviços à causa da cultural cinematográfica e do audiovisual Brasileiro.

Os primórdios do cineclubismo no Brasil apontam para o ano de 1917 como o início desta atividade em nosso país, com o surgimento do Cineclube Paredão[7], na cidade do Rio de Janeiro. Conforme depoimento de Pery Ribas, eles “reúnem-se na casa de Álvaro Rocha, que colecionava filmes, e lá assistiam sessões como um pequeno clube de cinema”. Ribas em depoimento para Rudá de Andrade continua dizendo que participavam daquele cineclube: “Adhemar Gonzaga[8], Álvaro Rocha, Paulo Wanderley, Luís Aranha, Hercolino Cascardo e Pedro Lima, então estudantes do Colégio Pio-Americano, formavam um grupo de interessados em cinema. Eles freqüentavam os cinemas Íris e Pátria e discutindo os filmes”. (RUDÁ, 62).

Por sua vez, André Gatti diz: “... Esses pioneiros utilizam-se de métodos cineclubistas consagrados, como assistir a filmes e, após a sessão, promover um debate entre os integrantes... Esse grupo ficou conhecido como Cineclube Paredão[9]”.

Onze anos separam o Cineclube Paredão do “Chaplin Clube”, fundação em 13 de junho de 1928, na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa de Otávio de Faria, Plínio Sussekind Rocha, Almir Castro e Cláudio Mello. 11 anos separam o Chaplin Clube da fundação do Foto Cine-Club Bandeirantes, fundado na cidade de São Paulo em 1939 e 12 anos do Chaplin Clube da fundação do Clube de Cinema, em 1940.

O curioso para ambos é que, o Foto Cine-Club Bandeirantes, só veio a desenvolver atividades cineclubistas, no início dos anos quarenta. O Clube de Cinema de São Paulo, após “realizar dez sessões, foi fechado, em 1941, pelo D.E.I.P.”, (Rudá, 62). Em 1946 ele reaparece e somente a partir daí é que a atividade cineclubista na cidade começa a ser mais constante, Impulsionadas pelas diversas iniciativas, em diversos segmentos no campo da cultura cinematográfica e pelo surgimento de outros clubes de cinema no interior paulista e em vários estados do país.

Em 1950 Carlos Vieira, empenhado em criar no país um movimento de entidades que tivessem por objetivo discutir a cultural cinematográfica, tenta e não consegue realizar em São Paulo, um encontro que agrupasse aquele tipo de entidades num órgão que as representasse nacionalmente. Diz ele que “a dificuldade em reunir pessoas preparadas para uma empreitada dessa natureza, nesta época, era tarefa incomum na cultura cinematográfica do país”.

Em 29 de outubro de 1956, Carlos Vieira e seus correligionários, fundam o Centro de Cine-Clubes do Estado do Estado de São Paulo – CCESP. A Assembleia
de fundação foi realizada na seda da Cinemateca Brasileira, que naquela época pertencia ao Museu de Arte Moderna, com sede na Rua 7 de Abril. (Diário da Noite, pág. 8, 57).                                         
A fundação do CCESP foi o resultado de um processo longo, que culminou com uma deliberação do “primeiro encontro de cine – clubes paulistas”, convocado pelo grupo que se reunia em torno do Sr. Carlos Vieira. O encontro ocorreu na cidade de Avaré. Participaram da Assembleia de fundação do CCESP, o Clube de Cinema de Marília, Avaré, Osvaldo Cruz, Santos, São Bernardo do Campo e de São Paulo, os cineclubes da Faculdade de Direito e Urbanismo e o clube de cinema Otávio Gabus Mendes, que patrocinou a iniciativa. 
(Diário da Noite, pág. 8, 1957).

Criado o Centro de Cineclubes, este se converte na primeira entidade de representação de cineclubes no país. Sua atuação inicia no âmbito estadual, mas logo, suas atividades começam a se propalar para muito além das fronteiras paulista e a passos largos ultrapassam as fronteiras nacionais. O Centro de Cine-Clubes de São Paulo ampliou sua abrangência e em seu quadro de associados aceitou a inclusão de cineclubes de todo o país. O Centro de Cine-Clubes participa ativamente da cena cultural e cinematográfica e é reconhecido como membro da Federação Internacional de Cineclubes (International Federation of Films Societies).

“Com o objetivo primordial de incentivar às atividades cineclubistas, o Centro como um bureau tem caráter consultivo e auxiliar para as entidades cineclubistas que a ele se filiam, nasce com o propósito de: 1) cooperar com os cineclubes no fornecimento de programação guia, constituída de filmes selecionados pelo seu valor artístico cultural; 2) exposições circulantes sobre a cultura cinematográfica; 3) palestras, cursos e seminários nos cineclubes; 4) estímulo à organização de bibliotecas especializadas; 5) intercâmbio dos cineclubes com entidades congêneres do país e do exterior; 6) colaboração por todos os meios a seu alcance na defesa do patrimônio histórico e artístico do cinema nacional”. (Carlos Vieira, Diário da Noite, pág. 8, 1957).

Nesta época, segunda metade da década de 1957, todos os esforços foram empenhados para criar um movimento de entidades ligadas à reflexão e difusão da cultura cinematográfica e mais especificamente dos cineclubes. Orientados pela definição do que era um Cineclube, os brasileiros pautavam sua atuação, conforme definição da Federação Internacional, da qual o Centro era membro filiado:

“Será considerado como Cine - Clube toda instituição não comercial que tenha fins exclusivos de contribuir para o progresso da cultura e estudos históricos da técnica cinematográfica; ajudar o desenvolvimento dos intercâmbios culturais do cinema entre os povos e, por fim, estimular a difusão do filme experimental”. 
(Diário da Noite, pág. 8, 1957).

A primeira diretoria do Centro de Cine Clubes do Estado de São Paulo ficou assim constituída: Presidente: Carlos Vieira; Assistentes: Luís Antônio Barbosa; João Batista Centini e José Luís Bacheuser. (Diário da Noite, pág. 8, 1957). (Grifos do Autor).

Depois de várias tentativas frustradas, Carlos Vieira por meio do Centro de Cine-Clubes e seus amigos espalhados pelo país, conseguem viabilizar seu intento maior; realizar um encontro nacional de cineclubes e entidades de cultura cinematográfica. Isso aconteceu em 1959, na cidade de São Paulo, com a realização da I Jornada de Cineclubes Brasileiros. (Grifos do Autor).

O Centro de Cineclubes de São Paulo permaneceu funcionando até 1976, quando este se transforma em Federação Paulista de Cineclubes. Durante a década de 1960, o Sr. Carlos Vieira foi uma das maiores se não a maior referência do cineclubismo brasileiro, superando até mesmo Paulo Emílio Salles Gomes. Embora não se trata de comparações, faz jus resgatar a trajetória de sua liderança cineclubista. Não é o caso aqui, mas vale o modesto registro.

Como um dos membros fundadores do Conselho Nacional de Cineclubes, Carlos Vieira é eleito seu primeiro presidente e durante os anos de 1960, participará de todas as jornadas, até 1968, quando se realiza em Brasília a VII Jornada Nacional de Cineclubes. Em 1964 Olavo Macedo de Farias é eleito presidente do CNC, em substituição a Carlos Vieira. Neste ano não houve jornada. No ano seguinte Carlos Vieira participa da V Jornada Nacional, na condição de Secretário da Federação Internacional de Cineclubes, para America Latina. A jornada acontece em fevereiro na cidade de Salvador, BA.

Com o encerramento das atividades dos cineclubes por força do Ato Institucional de nº 5, AI-5, pouco se sabe das atividades do Sr. Carlos Vieira e do Centro de Cine-Clubes de São Paulo, que, aliás, registra-se, até o momento não tem informações sobre o seu registro em Cartório, como tem o CNC, que foi registrado pelo mesmo.

Fato é que, segundo depoimento de Marco Aurélio Marcondes para a Revista Cineclube Brasil, por indicação de Cosme Alves Neto e Paulo Emílio Salles Gomes, Carlos Vieira foi procurado para participar das articulações “clandestinas[10]”, visando à realização da VIII jornada, ocorrida em 1974 na cidade de Curitiba, que reorganizou o Movimento Cineclubista Brasileiro.

Paulo Emílio e Ilka Laurito (ao centro) laudeados por participantes do encontro
1963 - 4ª Jornada Nacional de Cineclubes - Porto Alegre
1º Encontro Sul Americano de Cineclubes


 Antes, em maio de 1974 o Conselho Nacional foi reorganizado, durante a entrega do prêmio Curumim, evento realizado anualmente pelo Clube de Cinema de Marília, interior de São Paulo. Durante o evento, houve uma “Assembleia[11]” do CNC visando reorganizar a entidade nacional. Nesta ocasião foi eleita a nova Diretoria, que foi, em seguida, submetida à aprovação da “Assembleia Nacional[12]” da Jornada de Curitiba. Carlos Vieira foi eleito presidente tendo Marco Aurélio Marcondes como vice.

Segundo Marcondes, as negociações com o pessoal “reaça da antiga” seguia o mesmo ritual, depois de muita conversa vinha à pergunta chave, que filme você gosta? “Nos Tempos das Diligências” de Jonh Ford, ah, eu também gosto. Imagina diz Marco Aurélio, “O velhinho dormia com a Marlene Dietrich, ele guardava uma cópia de 16 mm do filme Der Blaue Engel (O Anjo Azul), 1930 de Josef Von Sternberg, em baixo do colchão”.

Durante o processo de reorganização do Movimento Cineclubista, no período que antecede a realização da VIII Jornada Nacional de Cineclubes em 1974, ao contrário do que se tem afirmado, houve um intenso jogo de negociações. Não é à toa a eleição de Vieira e tão pouco a caber a Eli Azeredo, “um crítico de cinema mais reacionário do Rio de Janeiro, católico, mas bom crítico[13]”, diz Marcondes, a pilar redação da famosa “Carta de Curitiba”.

O fato de não ter havido controvérsias, faz parte da absoluta falta de informações. Não se trata de contestações, suspeitas ou coisa que o valha, única e simplesmente, não se tem clareza ou acesso a informação ou ainda, essas informações não existem, não estão disponíveis, estão num limbo  que podemos chamar de memória oral. Quem as tem continuam guardando para si. Que lástima!

Mas é de se perguntar, que fatos motivaram o Sr. Carlos Vieira a ter renunciado à presidência da entidade nacional. É sabido que as mudanças operadas na estrutura nacional dos cineclubes foram muito significativas. A mais notável dizem respeito à natureza do poder máximo de decisão do movimento, passar aos cineclubes e não mais as diretorias das Federações.

Com a reorganização do Movimento Nacional, o Centro de Cine-Clubes de São Paulo, permaneceu filiado ao CNC como órgão de representação dos cineclubes paulistas. Em informações orais e corriqueiras, sabe-se que um grupo de cineclubistas muito próximos da Fundação Cinemateca Brasileiros, liderados intelectualmente por seu conservador, Paulo Emílio, se filia ao Centro de Cine-Clubes de São Paulo e posteriormente o transforma em Federação Paulista de Cineclubes.

Derrotado, Carlos Vieira passa a ser lembrança pejorativa do movimento cineclubista e sempre que seu nome surgia, era, via de regra, como figura ultrapassada, representante de um cineclubismo “conservador, reacionário”, ligado ao contemplativismo, da discussão da arte pela arte.

Em 1984, o Sr. Carlos Vieira tem seu nome é lembrado para ser homenageado na XVIII Jornada Nacional de Cineclubes, ano em que se pretendia manter o mesmo grupo no poder. Sua participação se restringiu a simples figura decorativa. O Movimento mudou de orientação política. Foi muito provavelmente sua última participação no Movimento Cineclubista.

Neste ano de 2016 em que deveríamos celebrar os 60 anos do surgimento do Movimento Cineclubista Brasileiro[14], realçar a importância de Carlos Vieira, é de fundamental importância, não só por seu legado, mas também como valoroso militante cineclubista. Sua história deve ser melhor resgatada, a luz da memória cineclubista, para que fique registrado nas mentes e impresso nos corações das futuras gerações cineclubistas.

Diogo Gomes dos Santos
Cineclubista / Cineasta / Historiador





[1] - Manifesto da Rearticulação do Movimento Cineclubista Brasileiro”
[2] - Referência a cineastas como Silvio Tendler, Walter Lima Júnior, Carlos Diegues, Umbelino Brasil, Pola Ribeiro, Roberto Gervitz, Maurice Capovilla, etc. Nota do autor.
[3] - SIMONARD, Paulo, A Geração do Cinema Novo, Para uma antropologia do cinema, pág. 72/73, editora Mauad, RJ, 2006.
[4] - Idem, pág. 101
[5] - Coleção “Cadernos da Cinemateca” – 1 CRONOLOGIA DA CULTURA CINEMATOGRÁFICA NO BRASIL - RUDA, Andrade, Edição da Fundação Cinemateca Brasileira, São Paulo, 1962.
[6] -    Acessado em 17 de setembro de 2016.
[7] - Sobre o Cineclube Paredão e sua provável  aceitação como marco histórico, é quase unanimidade a recusa em invalidar sua existência, a ponta dessas negativas, poderem ser utilizadas como prova de sua existência. Delas podemos citar Ismail Xavier (Sétima Arte: Um Culto Moderno); Pedro Simonard (A Geração do Cinema Novo, Para uma antropologia do cinema); Felipe Macedo (http://www.felipemacedocineclubes.blogspot.com/ ); Helio Moreira da Costa (O Onírico Desacorrentado: o movimento cineclubista brasileiro (do engajamento estético à resistência nos anos de chumbo – 1928 a 1988), entre tantos outros. Nota do Autor.
[8] - GONZAGA, Adhemar, é o cineclubista  de nº 1, constante do Observatório Cineclubista, Blog ligado ao CNCB. http://www.culturadigital.br/cineclubes/comunidades-cineclubistas/cineclubistas-brasileiros/adhemar-gonzaga/ (acessado em 18/08/15).
[9] - GATTI, André, Enciclopédia do Cinema Brasileiro, Org. RAMOS Fernão e MIRANDA, Luiz Felipe, pág. 128, SP, Editora SENAC, 2ª edição, 2004.
[10] - Grifo do autor
[11] - Estou usando o termo Assembleia, mas ele deve ser relativizado em seu rigor formal, estatutário, devido às circunstâncias da época. O evento do Clube de Cinema de Marília deu cobertura legal, para o encontro “clandestino” dos cineclubistas.
[12] - Esta atitude, podemos identificar como marco fundamental e diferencial da postura do Movimento até então. Até a VII Jornada, a eleição da Diretoria do CNC ocorria em Assembleia desvinculada da Jornada. É só depois da reorganização de Curitiba, que elas passam a ser um único evento do CNC.
[13] - Entrevista a Revista Cineclube Brasil nº 2
[14]  - Sempre que nos referimos à história do cineclubismo e utilizamos o termo Movimento Cineclubista para identificar a história dos Cineclubes como o  Paredão ou do Chaplin Clube. Talvez o mais correto fosse utilizar o mesmo termo quando nos referíssemos às organizações de representação, como as Federações, Associações, Conselho Nacional de Cineclubes. A história isolada dos cineclubes Paredão e/ou Chaplin Clube, são referências históricas dos cineclubes. O termo Movimento está ligado ao surgimento das organizações de representação dos cineclubes de determinado local, Estado ou país. Nota do Autor.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Carta Aberta a Diretoria do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – CNC B.

Caros Companheiros,

Considerando a situação inominável em que se encontram as instituições públicas do país, mergulhadas em crises de toda ordem, principalmente que a frente delas, encontram-se homens vis, que outra crença não professam, se não a locupletação ilícita. Isso não justifica a inatividade letárgica de grande parte da sociedade civil brasileira. Não nos esqueçamos, o protagonista de um filme é aquele personagem que desce ao fundo do poço. Desnudado ele se transforma. É o que ainda espero do Cineclubismo e da sociedade civil.



Devo dizer que depositei enorme esperança no processo que culminou com a eleição da Diretoria dessa entidade CNC B 2015 em Itaparica, e cuja enorme tarefa lhes fora confiada, não para “salvar” a bancarrota a quem foi submetida a entidade e o Movimento Cineclubista Brasileiro nestes últimos 11 anos (2004 a 2015).

Penso que é uma das tarefas dessa Diretoria é ser ferramenta despertadora da anima cineclubista que se encontrava e parece que ainda se encontra, encrostada em teorias vãs que culminaram com diversas iniciativas “louváveis”, mas que sem confluências com as atividades cotidianas dos cineclubes, resultaram, na prática, em tremendos fracassos.

É dolorido dizer, mas se o faço é no intuito de chamar atenção para fatos que cabe a direção do Movimento encaminhar, uma vez que o voto dos cineclubes os legitimaram para esta condição. Mas como não lamentar, que se quer a Ata de Eleição dessa Diretoria Executiva ainda não tenha sido registrada em cartório, que a Pré-Jornada não tenha ocorrido, que um acontecimento se quer tenha sido gerado, exceção as iniciativas estaduais, notadamente Pernambuco, Rio de Janeiro, Pará, Mato Grosso do Sul e Goiás. Se outros fatos em termos de representação ocorreram, não ficamos sabendo.



A direção decidiu coerentemente não estabelecer relações com o governo golpista, mas também é desconhecida, se é que existe, alguma atividade que vise criar mecanismos de auto sustentabilidade política, financeira e cultural da entidade. Toda ação deve gerar uma contra-reação.

Durante o processo do impeachamant, se não todos, quase todos os cineclubistas individualmente se manifestaram e participaram ativamente das manifestações e de ações cineclubistas a favor da manutenção do Estado de direito do país, mas não houve uma atividade se quer da entidade nacional, exceto apoio e emissão de uma Nota Oficial a favor da manutenção da presidenta eleita no cargo.

Isso companheiros cineclubistas, repito, não é, nenhuma"futucagem inglória", é contribuição e se assim reconhecerem, sugiro algumas ações[1] a serem coordenadas pela entidade nacional, possibilitando entre outras consequências a criação inclusive emprego e renda e recolocando o Cineclubismo no foco da ação que o tempo exige que ele esteja e faça a história acontecer, já que ela está em suas mãos.

Sugestões:   
   Apoio a iniciativa de companheiros cineclubistas (que já estão discutindo esta iniciativa), com a população que foram atingidas pela catástrofe de Mariana. Fazendo um levantamento das medidas que estão sendo tomadas, com relação do meio ambiente, a saúde, a autoestima, enfim, da situação sócio cultural da das famílias ribeirinhas do Rio Doce, etc. etc. etc.;

b)      Pesquisa sobre os efeitos que causam os filmes norte-americanos (hollywoodianos), e sua influência na formação moral dos seus espectadores, no que diz respeito ao conteúdo de suas mensagens e que ajudam inculcar nas mentes despreparadas mensagens como: Violência (número de mortes por filme), incentivo a corrupção (filme com cenas de apologia à corrupção). Para começar estes dois itens já são suficientes (outros podem ser inseridos);



c)       Criação de um segmento de cineclubes ligados as OCUPAÇÕES URBANAS, ASSENTAMENTOS DOS SEM TERRA, e ação no sentido de assegurar os DIREITOS DOS IMIGRANTES;

d)      Estabelecer no país, uma ação de teia (no sentido de rede, de trama), para refletir sobre a condição de povo, de nação a que está submetida a República, tendo como ferramenta a organização cineclubista, por meio de filmes previamente programados[2] à cerca da situação política atual do país, acompanhada de curso de formação cineclubista.

Saudações Cineclubistas,


Da direita para esquerda os cineastas: Flávio Leandro, 
Ari Fernandes, Lázaro Farias, Joseane Alfer e eu.

De perfil, Arnaldo Jardim (Jornalista e Presidente da Fundação 
Cultural do DF), eu e Wilson Grey. Abertura da 20ª Jornada de Brasília, 
1986, no teatro nacional, homenagem ao ator Wilson Grey.

Debate Cineclube Ousmane Sambène, na sede do 
Centro Cineclubista de SP/CECISP



[1] - As sugestões devem ser encaminhadas em parcerias com outras instituições e devem ser transformadas em projeto a ser financiado tanto pela iniciativa pública e privada, nacional e/ou internacional.

[2] - Vamos reavivar mesmo que virtualmente, a ideia da Comissão de Programação. É na Comissão de Programação que se forma a identidade de um cineclube e consequentemente do Cineclubismo. É aqui que os filmes são discutidos em seus aspectos mais amplos e profundos, é aqui onde o cineclubista é picado pelo “bichinho do cinema”.

quinta-feira, 5 de maio de 2016


O CIRCUITO SPCINE

Mais do que relevante, é de fundamental importância a criação do Circuito Spcine, que inaugurou no último dia 30 de março, as salas no – CEU Feitiço da Vila, na Chácara Santa Maria; CEU Meninos; no Sacomã e no CEU Butantã -, três das 20 anunciadas e que serão entregues a população até o final do mês de junho do ano em curso.


A concretização deste circuito é uma ideia acalentada há tempos, não só pelo cineclubismo, mas pelo cinema brasileiro em sua expressão mais resistente. A final, o filme só existe, quando bem projetado na tela. Isso é com certeza, a razão maior da existência de qualquer filmografia, principalmente a brasileira, tão vilipendiada pelo produto estrangeiro, notadamente o norte americano, em conluio com distribuidores e exibidores, salvo muitas, raríssimas exceções.

Para além da importância do circuito para o cinema brasileiro seja como parte da formação critica, como do direito de acesso ao filme nacional chegar ao seu público natural, a formação de novo público, é crucial para que este circuito vá em busca do público que está fora daquela faixa de mais ou menos 10% da população que frequenta as salas dos cinemas comerciais, onde o filme é disponibilizado como objeto de consumo ligeiro.


Evidente que o Circuito Spcine, ao colocar o filme em contato direto com o seu público preferencial, ele, o filme, precisa ser apresentado como uma forma de expressão do povo e registro memorial do seu tempo. É fundamental que o filme seja um elemento de diversão, laser, mas essencialmente deve também, informar, formar e educar.

Quando o Centro Cineclubista de São Paulo apresentou a proposta de criação deste Circuito à equipe da Spcine, ainda na sua fase embrionária de criação e foi aceito, apontamos para a necessidade de criar mecanismos que garantisse sua existência para muito além dos governos municipais (gestão desse ou daquele partido político), para que o espectador deixasse de ser “alma” e fosse contabilizado como público que agrega valor simbólico e econômico ao filme, que fosse imperiosa a autonomia de sua gestão, livrando-a das garras de toda e qualquer burocracia, principalmente a municipal.


Criar circuitos como estes em “espaços já existentes da administração pública”, não assegura as “boas intenções” contidas nos objetivos propostos e se quer nos numerais de pesquisas vindouras. Se assim fosse, existem muito mais de 50 milhões de auditórios em equipamentos públicos – estabelecimentos de ensino -, no Brasil. Era só adequá-los. Mas... por si só filmes nacionais que se pagam nos mercados que são "ocupados" pelos enlatados holywoodianos, são especie em avançado estágio de extinção.

No entanto, este circuito, precisa adotar premissas básicas de política pública de cultura, criando mecanismos que incentive a pluralidade de suas manifestações, onde a produção local encontre mecanismos que garantam sua criação e difusão, em detrimento da tendência monopolista do sistema em criar obstáculos para que as particularidades não sobrevivam, como valor cultural universal. A continuidade dessas 20 ou 80 salas nas próximas administrações é essencial, porque é neste tipo de circuito que o diálogo entre o filme e o espectador possa ser estabelecido. É ali onde o filme transcende aos objetivos de expressão de existência, onde ele ganha perenidade, é o lugar aonde o filme se torna obra de arte.


Quando de sua passagem por São Paulo, em entrevista ao jornal A Folha de São Paulo, o então editor da revista Cahiers Du Cinèma, Antoine de Baecque disse: “O cinema brasileiro tem conferido pouca importância à contribuição dos cineclubes, ao seu desenvolvimento”. O irônico de tudo isso é que a inauguração da 20ª sala do Circuito Spcine, que antes era Biblioteca do Ipiranga, depois rebatizada "Biblioteca Roberto Santos" transformada e tematizada em Cinema, justa homenagem ao cineasta paulistano, mas, no entanto, sua asserção, remonta a atividade cineclubista - Cineclube Ipiranga - ali desenvolvida, desde a última década do século passado, cuja inspiração levou o então Secretário Municipal de Cultura Marco Aurélio Garcia, governo Marta Suplicy, a iniciar os debates em torno do que veio a ser hoje a Spcine. O irônico do icônico é que, com a inauguração da sala, o cineclube tenha sido simplesmente ignorado. 

Como sou cineclubista sobrevivente, hoje, num Estado de Exerção, diferente do civilizado cineclubista de além mar, como selvagem vou direto a jugular de alguns soberbos e prepotentes gestores públicos, então a frente da Spcine em amparar a afirmação de Baecque, no que pese a significativa contribuição já vivenciada pelo Movimento Cineclubista Brasileiro à criação deste circuito, ora em processo de implantação por essa empresa.

Diogo Gomes dos Santos
Cineclubista

"Alma", conceito difundido por Maria do Rosário citando Marco Ferreri



segunda-feira, 14 de março de 2016

CINEMA PARADISO - DE AMIGO PARA AMIGO


CINEMA PARADISO - DE AMIGO PARA AMIGO




O encanto deste filme está ancorado em alguns elementos da linguagem cinematográfica e que seria salutar lembrá-las aqui, em função do que você se propõe em seu artigo, suponho.

Salvatore de Vita, o cineasta personagem, aprendeu a gostar e depois elaborar suas imagens, com uma filmadora rudimentar, enquanto projecionista vendo pedaços de filmes e depois projetando a assistindo aos filmes no cinema da sua cidade. Seu conhecimento se torna tão eficaz, porque ele ver, faz e rever. Com isso ele aprende a apreender. No futuro isso o tornou renomado em sua profissão, graças ao seu aprendizado na arte seletiva do olhar, o filme, iniciada pelo mestre projecionista Alfredo.

Toda a geração de cineastas brasileiros que criaram o movimento denominado de Cinema Novo, com exceção de Eduardo Coutinho e Joaquim Pedro de Andrade que tinha um pouco de conhecimento de cinema, todos os demais aprenderam e viraram cineastas depois de verem e discutir muitos filmes. Aprendizado que obtiveram nos cineclubes dos quais participaram e dos filmes que assistiam nos demais cineclubes e cinemas da cidade. Todos eles passaram pelo movimento de cineclubes, os cineastas do cinema novo “... fizeram uma ligação entre o ato de ver e o ato de fazer cinema.”, (Pedro Simonard, pág. 44 - A Geração do Cinema Novo, para uma antropologia do cinema, editora Mauad X, 2006, RJ)


“Voltando os olhares para o Cineclube, este é inseparável do Cinema, na medida em que nasce do mesmo se tornando atualmente um movimento independente, influenciando e sendo influenciado diretamente pelo cinema, que é o objeto principal de estudo dos militantes cineclubistas. Dessa forma o Cineclube da UFT em Tocantinópolis, utiliza desta arte como ferramenta pedagógica”. Pág. 57 – TCC do Cinecclube da UFT.





Neste sentido, olhando para os resultados do Cineclube da UFT e o filme Cinema Paradiso, não é só o personagem Totó que seduzido no fascinante universo das imagens em movimento, que são verdadeiros tesouros que povoam as telas daquele cinema, mas também as telas dos cineclubes de hoje, onde o público se identifica, se encantam, se seduzem e se embriagam não só com o menino fascinado com aquelas imagens, mas também o público, que também tem ou está formando sua própria memória cinematográfica. No filme, eles  são conduzidos pelo ritmo das imagens, que são acentuadas pelo tom melancólico da trilha sonora do filme (Ennio Morricone), fio condutor de toda memória afetiva do filme.


A outra questão que encanta no filme é a interpretação da dupla de atores, o carismático (Philippe Noiret) como o mestre Alfredo, ao lado de seu aprendiz, o pequeno Totó, que conquistam o público com seu irresistível magnetismo que existe, no contra ponto do velho e da criança, realçada na interpretação atraente de (Salvatore Cascio) Totó criança.

A medida que o NEAF/UFT e o Cineclube, desenvolvem este diálogo dentro do espaço acadêmico, revelam a sua importância para a quebra dos preconceitos que ao longo do tempo se tornaram estruturantes da sociedade brasileira. Para, além disso, propicia ao público uma formação por meio do debate, que vai de encontro ao que é proposto pela Lei 10.639/2003: Pág. 59 – TCC do Cinecclube da UFT.





Na primeira fase do Movimento Cineclubista, 1959 a 1968 aconteceram sete Jornadas Nacionais de Cineclubes, no intervalo entre a 5ª jornada realizada em Fortaleza, CE, em 1965 e os preparativos para a realização da 6ª Jornada que aconteceu em Salvador, BA, 1967, acorreu o 1º Estágio para Dirigentes Cineclubistas. A Pré-Jornada só veio acontecer depois da 8ª Jornada ocorrida em Curitiba, fevereiro de 1974.


Naquele Estágio, Walter da Silveira, em conferência para os dirigentes cineclubistas, fez algumas considerações, tidas como revolucionárias para aquele encontro, disse ele que os cineclubes: “Deve-se abandonar a projeção em recinto fechado e ir projetar filmes em bairros, na rua. Deve-se também entregar os cineclubes às universidades, não aos grêmios, convencendo os institutos de ensino que o cineclubismo deve ser um departamento das suas atividades(grifo meu).



Digo isso porque lendo o TCC do Klisma, sob sua orientação, acho que as teses do Walter da Silveira, finalmente encontraram eco nas atividades do cineclube da UFT, com as quais, depois de só agora tomar conhecimento, concordo ambas.


Existem outras experiências no campo cineclubista que não são excludentes e que este “profissionalismo” do qual falava o Walter da Silveira, que comportar também, outras experiências cineclubistas, inclusive nas Universidades. A que verificar as atividades do Cineusp e o Cineclube Janela Indiscreta da UESB, além um circuito de exibição cultural, tendo a experiência cineclubista, onde estes possam interferir na vida econômica do cinema brasileiro.



Tenho algo em torno de 30 TCCs e Teses sobre cineclubes e mais uns 6 a 8 livros. O TCC do Cineclube da UFT é o único, salvo exceções apontadas, que vai na direção do que disse Walter da Silveira e do que está citado na pág. 59 do TCC do cineclube da UFT.


___________________
* Texto solicitado pelo Professor Dr. João Batista de Jesus Felix, titular na cadeira de Ciências Sociais da Universidade Federal de Tocantinópolis - TO.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

MEMÓRIAS DA BOCA


No próximo dia 10.11.15, entra em cartaz no Cine Caixa Belas Artes o filme “Memórias da Boca”, longa-metragem composto por 8 curtas-metragens, ficção e não ficção, Sala Aleijadinho, no horário das 17:40. A presença dos cineclubes está registrada no filme: TRIUMPHO, 134 – Os Cineclubes na Boca do lixo.

Produzido sem recursos oficiais, o filme como em seu conjunto, faz jus a produção realizada naquele território cinematográfico paulista, já considerado como o ciclo mais importante do Cinema Brasileiro.

Vale lembrar que o filme entra em cartaz num dos piores momentos para exibição do filme brasileiro, porque nesta época do ano, as distribuidoras aproveitam para lançar todos os filmes que estão aguardando agenda nos cinemas. É o chamado momento da desova, porque em seguida entram em cartaz os enlatados, que buscam em nosso mercado, galgar prestígio em busca da tal estatueta comercial do Oscar.

Agradeço ajuda na divulgação do nosso filme. Aqueles que puderem conferir na tela a existência do filme e quiser contribuir com críticas, desde já fico imensamente grato!


Memórias da Boca
Brasil/SP | 2013 | colorido/p&b | 84 min. | ficção/não ficção

Direção: Alfredo Sternheim, Mário Vaz Filho, José Mojica Marins, Clery Cunha, Tony D’Ciambra, Diogo Gomes dos Santos, Valdir Batista e Diomedio Artemis Piskator. Produção Executiva: Diomedio Artemis Piskator. Roteiro: Alfredo Sternheim, Mário Vaz Filho, José Mojica Marins, Clery Cunha, Diomedio Artemis Piskator, Tony D’Ciambra, Diogo Gomes dos Santos, Valdir Batista e Valdir Medori. Fotografia: Tony D’Ciambra. Som: Mário Dalcendio Jr. Montagem: Caio Polesi e Renan Silbar. Direção de Arte: F. E. Kokocht. Musica: Aldy Carvalho.

Elenco: Elizabeth Hartmann, Neide Ribeiro, Débora Muniz, Mel Lisboa, Amanda Banffy, Gilda Vandenbrande, Carla Gobbi, Raquel Araújo, Lucienne Cunha, Roberta Mestiere, Eduardo Silva, Juan Carlos Alárcon, Beto Magnani, Geraldo Mário, Wilson Sampson, José Índio Lopes, Zé da Ilha, Castor Guerra, Paulo Faria, Osvaldo Gonçalves, Paulo Márcio, Máximo Barro, Walter Wanny, Alan Fresnot, Andre Gatti, Eduardo Paes Aguiar, Eufra Modesto, Tânia Costa, João Subires, Hed Ferri, Ligia de Paula Souza.

Realização: Instituto Ozualdo Candeias, Memorial do Cinema Paulista, Cumamê Cinema, Cinemário Produções, Fillmyca Produções, Peripécias Filmes, Cine a Vapor Produções, Griffith Produções Cinematográficas, Ramakriya Produções.

Sinopse: O filme traça um perfil da produção cinematográfica da Boca de Cinema de São Paulo. São oito episódios independentes de ficção e documentários, realizados por diretores remanescentes da Boca.

1º Episódio: Amigas para sempre, direção de Alfredo Sternheim.  Sinopse: Blanche Duvall e Dadá Vartan, foram atrizes do cinema da Boca do Lixo e reencontram-se num café, a pedido de Blanche. A conversa começa amável, com expressões de saudade do cinema da Boca e a lembrança de filmes com as suas atuações, mas quem mexe no passado também desenterra mágoas e conflitos.

2º Episódio: Passagem de Tempo, direção de Mário Vaz Filho. Sinopse: Mário Vaz Filho narra a saga da Embrapi, produtora independente idealizada por dez cineastas da Boca do Lixo, que realizou sete filmes de longa-metragem em um ano, e presta homenagem a quatro sócios já falecidos: Ody Fraga, Jean Garrett, Antonio Moreiras e Claudio Portioli.

3º Episódio: Bangue Bangue, direção de Valdir Baptista. Sinopse: Diálogo entre dois atores e técnicos de cinema da Boca do Lixo, Walter Wanny e José Índio Lopes, sobre como eram produzidos os westerns brasileiros. Em tom nostálgico e brincalhão, contam histórias de como eram contornadas as dificuldades técnicas e realizada a ambientação do gênero no Brasil.

4º episódio: entrandopelocano.com, direção de Tony D’Ciambra. Sinopse: Encanador em um dia normal de trabalho recebe uma chamada de emergência. O telefonema era um trote, mas ele inadvertidamente acaba num prostíbulo, levado até uma prostituta que o trata como um cliente pré-agendado e o submete a fantasias sexuais sadomasoquistas indesejadas.

5º episódio: Triunfho 134 – Os Cineclubes na Boca do Lixo, roteiro, edição e direção de Diogo Gomes dos Santos. Sinopse: O filme registra a presença dos cineclubes na “Boca do Lixo Cinema” e o envolvimento de alguns cineastas com esta atividade, através de entrevistas com vários cineclubistas e cineastas.

6º Episódio: Autofilmagem, direção de José Mojica Marins. Sinopse: José Mojica Marins caminha pela Rua do Triunfo e discorre sobre a importância do cinema produzido na Boca. Relembra as dificuldades inerentes à produção daqueles filmes, a solidariedade que ajudava a viabilizar os projetos e vários diretores e produtores que ali trabalhavam.

7º episódio: Experiência Macabra, direção de Clery Cunha. Sinopse: Durante as filmagens de “Joelma 23º Andar”, numa sequência no IML (Instituto Médico Legal de São Paulo), o ator Carlos Marques é trancado intencionalmente num depósito funerário com corpos queimados e mutilados. A intenção era conseguir maior realismo na interpretação. A história é narrada por Clery Cunha, diretor do filme e autor da “brincadeira”.

8º Episódio: Mil Cinemas, direção de Diomédio Artemis Piskator. Sinopse: Metalinguístico, o filme articula, em linguagem fragmentada, detalhes dos bastidores de uma equipe que realiza um filme na Boca de Cinema, homenageando a produção local.